sábado, 14 de janeiro de 2012

Capítulo 3 - Presente Inesperado.

                                   
Chegou o dia, depois de uma semana, nós (eu e meus pais) iríamos desocupar a casa da minha avó, fazer uma limpeza, tirar a poeira, para depois remover os móveis, não sei que destino terá a casa, mas talvez não a vendam, parece ser difícil demais se desfazer dela.
Vou só dar uma atualizada no que aconteceu nessa última semana. Passei um bom tempo em “depressão”, e Mel vinha me visitar todos os dias, não estou 100%, mas estou melhorando aos poucos.
Depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que o que eu pensei que sentia por Pedro não passou de uma ilusão, e que ele era apenas um amigo, por mais que no fundo eu não quisesse acreditar em minhas próprias palavras, era o mais certo a fazer.
Agora eu estou no carro com meus pais indo para a casa da minha avó e escutando música.
– O que você acha querida? – perguntou minha mãe.
– De que? – perguntei retirando os fones.
– De chamar a Mel para ajudar na limpeza.
– Ah, é pode ser, vou ligar para ela.
Peguei o celular e disquei o número que eu já sabia decorado.
Alô? – Mel atendeu com uma voz sonolenta.
– Oi! Bom dia flor do dia.
Nossa essa é antiga, o que foi?
– Tenho um convite a lhe fazer.
O que é tão importante para você me ligar às 9:00 da manhã?
– Eu quero saber se você quer ir ajudar com a limpeza da casa da vovó.
Ah, isso é realmente importante, pode ser, te encontro lá em dez minutos.
– Chegamos – ouvi minha mãe dizer.
 – O.k. – disse para as duas desligando o telefone e saindo do carro.
   A casa da minha avó era uma das casas mais lindas que eu já tinha visto na vida. Era grande, de cor branca que trazia uma sensação de paz. Tinha uma chaminé muito legal, que fazia parte das minhas fantasias de infância. Um jardim lindo, cheio de plantas e com uma grama verdinha, verdinha. Perto da porta tinha duas colunas que destacavam a entrada. No térreo, janelas e portas de vidro com cortinas verde-claro. No andar de cima, uma janela discreta mostrava o meu quarto preferido da casa. Eu sei que é descrição demais pra uma casa só, mas não é nem metade. É só a parte física.
Eu nunca conseguiria definir o que a casa da minha avó significava na minha vida. Era para lá que eu ia quando precisava conversar com alguém, quando eu precisava de um ombro para chorar, ou então simplesmente ia lá para encontrar com a minha avó e bater um papo enquanto ela fazia biscoitos.
Entrar lá e ela não me receber na porta com um grande abraço não foi fácil, eu nunca iria me esquecer das tardes que passei lá, foram as melhores da minha vida. Enquanto minha mãe dava uma olhada na cozinha eu fui para a biblioteca onde ela guardava todos os seus livros, e olha que eram muitos. Depois de olhar algumas prateleiras ouvi alguém bater na porta. Ao abrir vi Mel com uma sacola de papel nas mãos uma mochila nas costas.
– Oi! – Eu disse cumprimentando ela com um abraço. – O que são todas essas coisas?
– Eu vou dormir na sua casa hoje – disse ela entrando, colocando a mochila na porta.
– Que bom! Mas sua mãe já deixou né?
– É claro, eu disse a ela nós não tínhamos hora para acabar aqui, então ela me deixou dormir lá.
– Ah! Mas o que tem na sacola de plástico?
– Algumas coisas para mais tarde.
– Que tipo de coisas, eu posso saber?
- Brigadeiro, Coca e pipoca de micro-ondas.
– Hum, gostei.
– Olá Mel – cumprimentou minha mãe saindo da cozinha – Garotas, vocês podiam ir arrumando o sótão enquanto a gente dá um jeito aqui em baixo.
– Sim senhora – respondi passando com Mel pela cozinha para ela deixar as coisas e subindo para o sótão.
Digamos que o sótão da casa da minha avó não era pequeno, era do tamanho de um quarto normal e estava cheio de poeira e caixas.
– Nossa quanta coisa velha – disse Mel passando o dedo em uma caixa e olhando pra poeira nos móveis.
– É um sótão, poeira e coisa velha é o que não vai faltar por aqui.
Passamos uma hora descendo caixas e mais caixas, depois de tanto tempo fazendo isso meus braços estavam cansados, mas fazer esse tipo de trabalho com Mel era sempre divertido, ela ficava experimentando os chapéus e roupas que encontrávamos. Depois de algum tempo minha mãe nos chamou para tomar um refresco lá em baixo.
– Que bom que ela chamou, estou morrendo de fome – disse Mel tirando o chapéu que estava experimentando e se dirigindo para as escadas – Você não vem?
– Vou sim – eu disse me apressando, no meio do caminho bati em uma caixa pesada, que caiu fazendo um imenso baque. – Ai – eu disse esfregando a perna com a mão.
– Só podia ser você, vamos logo antes que abra um buraco negro na minha barriga.
– Pode ir na frente, vou dar uma olhada nessas coisas.
Abaixei-me para juntar o que eu tinha derrubado, a caixa estava cheia de livros antigos, coloquei todos eles de volta apressada e desci as escadas. Meus pais e Mel me esperavam na cozinha.
– Como vai o trabalho meninas? – perguntou minha mãe enquanto colocava limonada para nós.
– Muito bem – respondi – Cansativo também, a vovó tinha muitas coisas. – falei pegando uma fatia do bolo de chocolate que estava em cima da mesa.
– Acham que dá para terminar antes de anoitecer? – perguntou papai.
– Acho que não – respondi de boca cheia.
– Evelin, tenha modos! – ralhou mamãe
– Desculpe, vou voltar lá para cima, ainda tem muito trabalho a ser feito, vamos Mel?
 – Vamos. – disse ela pegando um pedaço de bolo e subindo comigo.
Passamos o resto da tarde e entramos pela noite quando só faltavam duas caixas Mel encontrou uma coisa.
– Eve, você deixou alguma coisa aqui?- perguntou ela caminhando em minha direção.
– Não que eu saiba, por que?
– Por que tem uma coisa aqui etiquetada com seu nome – disse ela me entregando um pacote quadrado.
– Essa é a letra da minha avó, não faço a mínima idéia do que tem aí dentro, mas essa com certeza é a letra dela.
– Então abre e descobre.
Era um diário. A capa era feita de couro, em tons de mogno, tinha flores e o nome “Jane”,  bordados em linha dourada. O fecho também era dourado com delicados entalhes de flores. Minhas mãos tremiam ao pega-lo.

– Opa. – disse Mel olhando por cima do meu ombro – É um diário.

– Não é um diário qualquer, é o diário da minha avó.

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