Resolvi dar novos rumos a história. Não se preocupem, não serão mudanças drásticas, eu apenas mudei de opinião quanto ao fato da história da avó de nossa querida Evelin se refletir na vida dela, espero que gostem.
Beijos
Caroline Uchôa
My Heart and Soul
Essa não é uma história real... Meu nome é Caroline Uchôa, tenho 16 anos, moro na cidade de Juazeiro do Norte,Ceará,altamente desastrada,gosto de músicas boas,McFly, Simple Plan e Evanescence são minhas bandas favoritas, acho que não há nada melhor no mundo do que ler escutando música em uma varanda numa tarde chuvosa, sou meio inconstante.Isso é um pouco de quem eu sou. Tentei fazer uma história que agrade a todos...Espero que gostem. ;*
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
Capítulo 3 - Presente Inesperado.
Chegou o dia, depois de uma
semana, nós (eu e meus pais) iríamos desocupar a casa da minha avó, fazer uma
limpeza, tirar a poeira, para depois remover os móveis, não sei que destino
terá a casa, mas talvez não a vendam, parece ser difícil demais se desfazer
dela.
Vou só dar uma atualizada no
que aconteceu nessa última semana. Passei um bom tempo em “depressão”, e Mel
vinha me visitar todos os dias, não estou 100%, mas estou melhorando aos
poucos.
Depois de muito pensar,
cheguei à conclusão de que o que eu pensei que sentia por Pedro não passou de
uma ilusão, e que ele era apenas um amigo, por mais que no fundo eu não
quisesse acreditar em minhas próprias palavras, era o mais certo a fazer.
Agora eu estou no carro com
meus pais indo para a casa da minha avó e escutando música.
– O que você acha querida? –
perguntou minha mãe.
– De que? – perguntei
retirando os fones.
– De chamar a Mel para
ajudar na limpeza.
– Ah, é pode ser, vou ligar
para ela.
Peguei o celular e disquei o
número que eu já sabia decorado.
– Alô? – Mel atendeu com uma voz sonolenta.
– Oi! Bom dia flor do dia.
– Nossa essa é antiga, o que foi?
– Tenho um convite a lhe
fazer.
– O que é tão importante para você me ligar às 9:00 da manhã?
– Eu quero saber se você
quer ir ajudar com a limpeza da casa da vovó.
– Ah, isso é realmente importante, pode ser, te encontro lá em dez
minutos.
– Chegamos – ouvi minha mãe
dizer.
– O.k. – disse para as duas desligando o
telefone e saindo do carro.
A casa da minha avó era uma das casas mais
lindas que eu já tinha visto na vida. Era grande, de cor branca que trazia uma sensação de paz. Tinha uma
chaminé muito legal, que fazia parte das minhas fantasias de infância. Um
jardim lindo, cheio de plantas e com uma grama verdinha, verdinha. Perto da
porta tinha duas colunas que destacavam a entrada. No térreo, janelas e portas
de vidro com cortinas verde-claro. No andar de cima, uma janela discreta
mostrava o meu quarto preferido da casa. Eu sei que é descrição demais pra uma
casa só, mas não é nem metade. É só a parte física.
Eu
nunca conseguiria definir o que a casa da minha avó significava na minha vida. Era
para lá que eu ia quando precisava conversar com alguém, quando eu precisava de
um ombro para chorar, ou então simplesmente ia lá para encontrar com a minha
avó e bater um papo enquanto ela fazia biscoitos.
Entrar
lá e ela não me receber na porta com um grande abraço não foi fácil, eu nunca
iria me esquecer das tardes que passei lá, foram as melhores da minha vida. Enquanto
minha mãe dava uma olhada na cozinha eu fui para a biblioteca onde ela guardava
todos os seus livros, e olha que eram muitos. Depois de olhar algumas
prateleiras ouvi alguém bater na porta. Ao abrir vi Mel com uma sacola de papel
nas mãos uma mochila nas costas.
– Oi! – Eu disse cumprimentando ela com um
abraço. – O que são todas essas coisas?
– Eu vou dormir na sua casa hoje – disse
ela entrando, colocando a mochila na porta.
– Que bom! Mas sua mãe já deixou né?
– É claro, eu disse a ela nós não tínhamos
hora para acabar aqui, então ela me deixou dormir lá.
– Ah! Mas o que tem na sacola de plástico?
– Algumas coisas para mais tarde.
– Que tipo de coisas, eu posso saber?
- Brigadeiro, Coca e pipoca de micro-ondas.
– Hum, gostei.
– Olá Mel – cumprimentou minha mãe saindo
da cozinha – Garotas, vocês podiam ir arrumando o sótão enquanto a gente dá um
jeito aqui em baixo.
– Sim senhora – respondi passando com Mel
pela cozinha para ela deixar as coisas e subindo para o sótão.
Digamos que o sótão da casa da minha avó
não era pequeno, era do tamanho de um quarto normal e estava cheio de poeira e
caixas.
– Nossa quanta coisa velha – disse Mel
passando o dedo em uma caixa e olhando pra poeira nos móveis.
– É um sótão, poeira e coisa velha é o que
não vai faltar por aqui.
Passamos uma hora descendo caixas e mais
caixas, depois de tanto tempo fazendo isso meus braços estavam cansados, mas
fazer esse tipo de trabalho com Mel era sempre divertido, ela ficava
experimentando os chapéus e roupas que encontrávamos. Depois de algum tempo
minha mãe nos chamou para tomar um refresco lá em baixo.
– Que bom que ela chamou, estou morrendo
de fome – disse Mel tirando o chapéu que estava experimentando e se dirigindo
para as escadas – Você não vem?
– Vou sim – eu disse me apressando, no
meio do caminho bati em uma caixa pesada, que caiu fazendo um imenso baque. –
Ai – eu disse esfregando a perna com a mão.
– Só podia ser você, vamos logo antes que
abra um buraco negro na minha barriga.
– Pode ir na frente, vou dar uma olhada
nessas coisas.
Abaixei-me para juntar o que eu tinha
derrubado, a caixa estava cheia de livros antigos, coloquei todos eles de volta
apressada e desci as escadas. Meus pais e Mel me esperavam na cozinha.
– Como vai o trabalho meninas? – perguntou
minha mãe enquanto colocava limonada para nós.
– Muito bem – respondi – Cansativo também,
a vovó tinha muitas coisas. – falei pegando uma fatia do bolo de chocolate que
estava em cima da mesa.
– Acham que dá para terminar antes de
anoitecer? – perguntou papai.
– Acho que não – respondi de boca cheia.
– Evelin, tenha modos! – ralhou mamãe
– Desculpe, vou voltar lá para cima, ainda
tem muito trabalho a ser feito, vamos Mel?
– Vamos.
– disse ela pegando um pedaço de bolo e subindo comigo.
Passamos o resto da tarde e entramos pela
noite quando só faltavam duas caixas Mel encontrou uma coisa.
– Eve, você deixou alguma coisa aqui?-
perguntou ela caminhando em minha direção.
– Não que eu saiba, por que?
– Por que tem uma coisa aqui etiquetada
com seu nome – disse ela me entregando um pacote quadrado.
– Essa é a letra da minha avó, não faço a
mínima idéia do que tem aí dentro, mas essa com certeza é a letra dela.
– Então abre e descobre.
Era um diário. A capa
era feita de couro, em tons de mogno, tinha flores e o nome “Jane”, bordados em linha dourada. O fecho também era
dourado com delicados entalhes de flores. Minhas mãos tremiam ao pega-lo.
– Opa. – disse Mel
olhando por cima do meu ombro – É um diário.
– Não é um diário
qualquer, é o diário da minha avó.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Capítulo 2 - Adeus...
Não acreditei no que ouvi, acho que eu não queria
acreditar, era irreal demais para ser verdade, minha avó não podia estar morta,
ela era forte demais para isso. Sentei do lado da minha mãe enquanto Mel foi
pegar água para ela
-
Aqui Dona Laura, isso vai servir para acalmar a senhora – disse Mel entregando
um copo de água com açúcar a minha mãe.
-
Obrigada Mel. – disse minha mãe enquanto pegava o copo com as mãos trêmulas.
-
Mãe, como isso aconteceu? – perguntei me controlando para não chorar, vendo
minha mãe no estado em que ela estava eu decidi que seria forte afinal, eu
teria que ser a sua força, e ela ia precisar de mim mais do que nunca.
-
Não sei minha filha, ela estava bem em casa, aí passou mal e morreu. Os médicos
disseram que ela chegou viva ao hospital, mas teve uma parada cardiorrespiratória
quando estava lá.
-
Amiga vou ligar para a minha mãe e avisar a ela. – disse Mel pegando o celular.
-
Ok. Tenho que ligar para a minha tia. Mãe eu vou aí ligar para a tia Lúcia, a
senhora vai ficar bem?
-Vou
sim querida, pode ir.
Deixei minha mãe na sala, subi para o meu quarto e
tranquei a porta, ao sentar na cama foi como se a verdade me atingisse em
cheio, minha avó, minha segunda mãe, aquela que me dava conselhos, que me
apoiava, tinha partido e não ia mais voltar. Então eu chorei, chorei por não
ter tido a chance de me despedir, de não poder dizer a ela que eu a amava,
seria difícil aprender a conviver com o vazio que já começava a se instalar
dentro de mim, era como se mesmo sabendo que ela tinha partido, ainda restasse
um pouco de esperança de que fosse apenas mais uma de suas longas viagens.
Chorei até cair no sono, acordei horas ou minutos
depois, com alguém batendo na porta.
-Eve?
Você está bem? – Era Mel. – Eve? Você está aí?
Levantei-me e abri a porta, assim que ela me viu com
os olhos vermelhos e inchados, ela me abraçou e eu recomecei a chorar, enquanto
ela tentava me consolar não notei que alguém se aproximava. Ao levantar os
olhos do ombro de Mel tomei um susto.
-Pai?
– Esqueci-me de contar um detalhe muito importante da minha vida. Meus pais são
separados, desde que eu nasci. Às vezes eu me sinto culpada, como se eu tivesse
sido a causa da separação deles, mas minha mãe disse que o casamento já não
vinha bem a algum tempo e que a separação não teve nada a ver comigo, mas hoje
eles tem uma relação amigável.
-
Oi querida – disse ele enquanto caminhava na minha direção para me abraçar.
-
Onde está a mamãe? – perguntei meio atordoada.
-
Agora ela está dormindo – respondeu Mel.
-
Mel me desculpa por ter jogado tudo em cima de você
-
Não se preocupe, você precisava de um tempo sozinha, e eu fico feliz em ser
útil, agora eu vou pra casa bem rápido só pegar umas coisas e volto para ficar
aqui com você.
-
Mas e as coisas do funeral? Quem vai organizar tudo? – perguntei preocupada.
-
Suas tias e eu estamos cuidando de tudo, elas estão vindo de Londres só para
cuidar desses preparativos.
O
resto da noite passou como um borrão, não lembro de ter dormido muito, passei a
maior parte da noite conversando com Mel, ela estava fazendo de tudo para me
animar, mas era meio difícil. Por volta das 4hrs da manhã consegui dormir um
pouco e quando acordei tinha apenas uma certeza. O dia seria bem difícil. De
manhã Mel e eu levantamos e fomos nos arrumar, hoje era o dia do velório e do
enterro da minha avó, ainda era bem difícil de acreditar que ela tinha partido.
Ao chegarmos lá em baixo Pedro nos esperava.
-E
aí? Tudo bem? – ele perguntou enquanto vinha me abraçar
-Na
medida do possível. – eu disse sentindo meus olhos se encherem novamente de lágrimas.
Por um momento não quis que ele me soltasse, quando ele me abraçou foi como se
por um breve instante eu esquecesse um pouco de tudo.
-Seu
pai mandou te dizer que ele foi para a casa da sua tia com sua mãe, e que você
fosse para lá assim que acordasse – quando ele me soltou senti uma imensa
vontade de me trancar novamente em meu quarto, me afundar nos travesseiros e
chorar. Mas o que era isso? Eu nunca tinha me sentido assim em relação a ele,
meu Deus, como eu estava confusa...
Saímos
e fomos para a casa da minha tia onde aconteceria o velório.Quando chegamos lá
a atmosfera era de desolação total,eu não iria agüentar ver todos assim, era
triste demais, ao entrar lá várias pessoas vieram me cumprimentar, depois de
falar com todas as pessoas que conheciam minha avó, eu finalmente tive tempo
para ir aflar com minha tia que estava na cozinha fazendo chá para todos, se eu
a conhecia tão bem quanto eu pensava, ela tinha ido se ocupar com alguma coisa
para esquecer dos problemas, ela fazia isso sempre que precisava espairecer.
-Oi
tia Lúcia – eu disse entrando na cozinha
-Oi
querida, como você está?
-Levando,
e a senhora?
-Bem,
na medida do possível, você já foi vê-la? – ela perguntou com uma voz meio
distante.
-Não,
não sei se tenho coragem, é muito difícil dizer adeus – senti uma lágrima
descer pelo meu rosto.
-Mas
essa será a sua última chance, então eu acho melhor você aproveitar. – disse
ela enquanto saia da cozinha com uma bandeja de chá
Me
apoiei na pia da cozinha eu fiquei lá de cabeça baixa por um bom tempo, até que
escutei alguém batendo na madeira perto da porta
-Ah,
oi Pedro. – eu disse indiferente, eu sei que não era à hora apropriada para
reparar isso, mas parecia que ele estava mais bonito do que nunca, ele usava
uma camisa preta com as mangas dobradas até os cotovelos, uma calça jeans meia
velha e um All Star surrado.
-Oi,
tava te procurando, e sua tia disse que você estava aqui, então vim ver como
você estava – disse ele se sentando em uma das cadeiras da mesa.
-Tô
bem sim, obrigada pela preocupação – sentei-me em uma cadeira de frente para
ele.
-Você
lembra daquela vez que eu coloquei um grilo na sua bolsa e a vovó Jane viu?
-Lembro
sim, e ela brigou com você, dizendo que isso não era coisa que se fizesse –
começamos a rir com a lembrança, era tão fácil conversar com ele, uma pessoa
que sempre me fazia sentir bem
-Você
já foi vê-la? – ele perguntou enquanto ia pegar duas xícaras de chá
-Minha
tia acabou de me perguntar isso, não ainda não fui, não tive coragem de dizer
adeus, não quero que ela se vá – eu disse baixando a cabeça.
-Ei,
você sabe que sempre vai ter a mim e a Mel né? – disse ele pegando minha mão
-Sei
sim, muito obrigada
-E
você já foi olhar ela? – perguntei tentando não parecer tão envergonhada quanto
estava
-Já
sim – ele disse soltando minha mão e indo se apoiar no balcão da cozinha
-E
como ela está? – eu tinha que saber pelo menos isso
-Como
sempre foi, parece até que ela está só tirando uma soneca
-Queria
ter coragem de dizer adeus, mas eu não consigo, não sozinha – eu disse
enxugando as lágrimas que já desciam por minhas bochechas.
-Se
você quiser, eu vou lá com você.
Então
ele pegou minha mão e me levou para a sala onde o corpo estava sendo velado, a
cada passo que eu dava para mais perto do caixão, eu sentia meu coração
afundar, como se cada passo que eu desse fosse um sacrifício.Vê-la não foi a
pior parte, ruim mesmo foi saber que eu nunca mais veria aquele rosto, que
nunca mais teria aqueles braços em torno de mim, para me dar um abraço reconfortante,
foi saber que ela não estaria mais ali para me escutar e falar comigo, que eu
nunca mais escutaria aquela voz doce cantando músicas antigas enquanto
cozinhava.Recomecei a chorar(vocês já devem estar cansados de me ouvir dizer
que eu chorei, mas é que perder um parente não é fácil) só que dessa vez eu
senti que Pedro me abraçava.
O
enterro foi a parte mais difícil, enquanto abaixavam o caixão eu vi minha mãe se
desesperar e não pude fazer nada, eu estava abraçada com Mel e Pedro e ambos me
consolavam.
Ao
chegar em casa subi direto para o quarto, eu estava cansada demais para fazer
qualquer outra coisa.A última coisa que me lembro foi de deitar na cama e
apagar.
domingo, 18 de dezembro de 2011
Capítulo 1 - Surpresas nem sempre são boas...

Acordei com o barulho do despertador perto do travesseiro, como eu odiava ter que acordar cedo nas férias... ah é lembrei, não estou mais de férias,se tem uma coisa pior do que acordar cedo é ter que acordar cedo para ir à escola, fiquei rolando na cama por um bom tempo esperando a coragem chegar.
- Evelin! – Ouvi minha mãe gritar da cozinha.
- Oi, já acordei – respondi me forçando a levantar da cama.
Fui para o banheiro tomei banho, e fui me arrumar. Nunca gostei muito de maquiagem, mas gosto de usar rímel e lápis, só para não ficar com cara de morta, peguei minha blusa do Capitão América (sim, sou uma nerd fissurada em quadrinhos, e admito que o Chris Evans como Steve Rogers me fez gostar ainda mais do Capitão América), minha calça jeans e meu All Star velho, prendi meus cabelos com uma tiara e me examinei no espelho, a roupa não estava tão ruim, estava fazendo um estilo nerd arrumadinha, desci para tomar café.
- Você vai desse jeito para o primeiro dia de aula? – perguntou minha mãe como se estivesse vendo uma doida na sua frente.
- Vou. Eu me esqueci de colocar aquele vestido para lavar.
Assim que eu acabei de falar ouvimos batidas na porta.
- Eu abro – disse me encaminhando para a porta.
- Amiga! – tomei um susto com o abraço que eu recebi ao abrir a porta. Lá estava Mel, minha melhor amiga desde sempre com suas roupas lindas e na moda como sempre. Hoje ela combinava um short jeans mais ou menos curto, com meias arrastão e uma camiseta roxa com um dinossauro muito fofo.No momento ela estava numa fase Rock de sua vida.
- Bom dia! - disse uma voz conhecida atrás dela, era Pedro seu irmão gêmeo, ambos tinham olhos cabelos loiros e olhos azuis, nós éramos amigos desde sempre, mas tenho que admitir que ultimamente ele tinha ficado mais gato.
- Entrem – disse abrindo mais a porta.
- Oi dona Laura! – Mel e Pedro cumprimentaram minha mãe.
- Oi meninos, querem café? – Perguntou minha mãe enquanto saia da cozinha.
-Não obrigada – respondeu Mel.
- Eu quero – disse Pedro indo pegar uma caneca no armário.
- Você já ouviu falar em educação? – Mel perguntou a seu irmão enquanto se sentava em um dos bancos que ficavam de frente para o balcão da cozinha e colocando os fones de ouvido.
- E você já ouviu falar em fome? – respondeu Pedro enquanto abria a geladeira para pegar leite
- E aí amiga, como foi ontem depois do cinema? – Mel perguntou enquanto escolhia uma música no celular.
- Eu estava tão morta que eu cheguei em casa e dormi.
- Aquele filme era muito bom – disse Pedro com a boca cheia.
- Ai que nojo garoto. Eve você tem algo que não seja café aqui?
- Tenho sim, tem suco na geladeira.
Apesar de estar com meus amigos eu senti uma coisa ruim, como um frio na barriga, algo iria dar errado hoje, eu podia sentir.No caminho para a escola Mel e eu começamos a conversar sobre “o filme”
-Mas nada se compara a Chris Evans naquele filme, que homem lindo! – Falei empolgada
-Ele não é lindo – disse Mel se afastando já prevendo o ataque que eu daria
-Você bebeu? Se drogou? Usou algo e não me disse? – Perguntei brincando – Ele é perfeito!
-Não é não, ele é muito bombado.
-Se for por isso Hugh Jackman também é bombado e você acha ele bonito. – Ela é fã do Wolverine (o do filme, imaginem o porquê)
-Mas ele é proporcional, Chris Evans tem a cabecinha?
-Marido!? Sonhe bem muito. – Disse Mel brincando
-Não acredito que vocês vão ficar falando de homem na minha frente – Reclamou Pedro
-Deixa de ser besta menino – eu disse dando um soco de brincadeira em seu braço.
-Você fala assim por que não sabe como isso é incômodo.
-E eu tenho que te agüentar falando das “gatas” que você supostamente “pegou” – reclamei com ele
-Isso é bem diferente, por que é real.
-Ahaaaaaaaaam, me engana que eu gosto.
-Você duvida da minha masculinidade? – disse ele me agarrando pela cintura.
-Eu hein, nunca se sabe. – Não que eu tenha achado ruim ele ter me agarrado, mas foi estranho,de repente eu senti como se todo o meu corpo ficasse mole.
-Ei você dois aí! – gritou Mel que já ia lá à frente – Dá pra parar de namorar e andar mais rápido? Eu não sei se vocês sabem mais existe uma coisa chamada escola e nós já estamos atrasados para ela...
-Sim senhora, você quem manda – eu disse me desvencilhando rapidamente de seus braços,pode ter sido impressão, mas posso jurar que vi algo em seus olhos quando ele me soltou,mas é claro que foi só impressão, nunca que o irmão super gato da minha melhor amiga ia se interessar por mim, logo por mim – E aí Pedro? Você vem ou não?
-Primeiro dia de aula? Não perco essa por nada – disse ele voltando a andar conosco.
Andamos mais uns dois quarteirões até chegarmos à escola que para variar não tinha mudado nada, era o mesmo prédio antigo de dois andadres no melhor estilo de uma escola americana, essa era a Escola de Ensino Médio Thomas Jefferson, passamos pelo estacionamento onde Pedro ficou com seus amigos do time de basquete enquanto eu e Mel entravamos na escola,ao entrar fui direto para o meu armário (adorava isso) que como era de se esperar estava cheio de fotos dos meus maridos lindos (todos “imaginários” é claro).Mel e eu pegamos nossos livros e fomos para a aula de Matemática, enquanto ela se preocupava com suas músicas (grande novidade), eu rezava para o professor ter mudado, mas com a sorte que eu tinha iria continuar sendo o mesmo chato de sempre, ao chegar na porta da sala eu estaquei,era um sonho, ou então eu morri e fui para o céu, o professor não só tinha mudado, como ele era extremamente lindo, ou então eu tinha errado de sala, só pode, conferi o número da sala duas vezes só para ter certeza, não eu não tinha errado. Obrigada Senhor! Pela primeira vez eu dei sorte.
-E aí senhoritas? Vocês vão entrar ou não?
-Vamos – falei arrastando Mel, que ainda estava para da porta – Desculpe professor – sentei na segunda cadeira da fila como era de costume,ao me sentar senti uma bolinha de papel nas costas, era um bilhete de Mel.
“Meu Deus, é um sonho só pode...”
“Parece que não amiga!”
“Nem acredito, acho que vou reprovar milhões de vezes essa matéria, se ele for o professor, não me importo de reprovar. :D”
“kkkkkkkkkkkk. Com certeza não ;D”
-Bom dia turma, meu nome é Anderson, e eu vou como muitos já perceberam, ensinar Matemática a vocês – Ele era muito lindo, era alto, pele branca, cabelos castanhos e olhos verdes, eu não conseguia para de olhar.Mas se eu não prestasse atenção ia acabar reprovando mesmo. Abri o caderno e comecei a escrever tudo que estava na lousa, mas por mais que eu quisesse (mentira, eu não queria tanto assim) não conseguia tirar Pedro da minha cabeça, o que tinha acontecido de manhã?Nós nunca tínhamos nos comportado assim, e o que foi aquilo que eu vi nos olhos dele?
-Pára de sonhar, ele é irmão da sua melhor amiga, é fruto proibido – disse para mim mesma, tentando desviar meus pensamentos dele, mas no fundo algo me dizia que não seria tão fácil.
Depois da aula de matemática o dia transcorreu normalmente, até que chegou o fim da tarde e nós voltamos para casa, ou melhor, eu e Mel voltamos, por que Pedro tinha arrumado uma nova conquista, rápido ele né? E eu não fui nem um pouco com a cara dela, o mais estranho era que a cada passo que eu dava para mais perto da minha casa, mais aquela sensação de que algo estava errado se apoderava de mim.
Ao chegar à porta pude escutar minha mãe, entrei de supetão na casa e a vi chorando desconsolada no sofá e o telefone jogado no chão. Meu coração estava acelerado quando me ajoelhei ao seu lado.
-Mãe o que houve? – Perguntei assustada
Ela olhou para mim com os olhos vermelhos de tanto chorar, e antes que ela me respondesse já sabia a resposta.
-Sua avó, ela morreu.
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